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À prova da turbulência em 2018? Por que os analistas estão de olho nessas duas ações

Perspectivas mais positivas para o preço de celulose e "fator hedge" em meio à perspectiva de turbulência com eleição presidencial levam analistas a ficarem positivos com Fibria e Suzano

SÃO PAULO - O mês de novembro não está sendo o dos melhores para as ações do setor de papel e celulose. Contudo, elas registram um forte desempenho no acumulado de 2017 - e têm tudo para brilhar ainda mais em 2018, de acordo com relatórios dos últimos dias de grandes bancos, que reforçam a sua visão positiva para o setor. 

Para o setor, analistas destacam a perspectiva de alta dos preços de celulose no ano que vem que, associada à possível volatilidade do mercado brasileiro por se tratar de um ano eleitoral, tornam o cenário para as ações do setor - com destaque para Fibria (FIBR3) e Suzano (SUZB3) - bastante promissor.

Em relatório da semana passada, os analistas do Bradesco BBI Thiago Lofiego, Arthur Suelotto e Isabella Vasconcelos apontam que o mercado no geral acredita que o preço de celulose está perto do pico, a US$ 780 a tonelada hardwood na China, considerando as fases iniciais de produção de algumas companhias e de capacidade em 2018.

Porém, apesar de acreditarem que o preço da celulose possa cair para US$ 700 a tonelada em 2018, há alguns eventos que podem ajudar as commodities a terem alta de preços, podendo levar a um novo rali para as ações. 

"Nesse contexto, Fibria e Suzano podem servir como bons hedges ( e não caros)  para a volatilidade de 2018, especialmente considerando o ano eleitoral pela frente", avaliam os analistas do Bradesco BBI.

São quatro os "riscos de alta" para a celulose, conforme apontam os analistas: i) a contínua falta de fibra na China, que está sujeita à regulação mais rigorosa e cancelamento de licenças no país, embora o impacto efetivo no mercado físico tenha sido pequeno até agora; ii) a conversão para dissolving pulp, com alto teor de celulose, que pode resultar em redução de oferta de pelo menos 500 mil toneladas em 2018; iii) a maior disciplina das grandes produtoras de celulose do mundo, que vêm priorizando valor ante volume, com maior coordenação de oferta e iv) por fim, a oferta de Guaíba da CMPC, que deve ser menor em 2018 do que em 2017 (ano em que os preços da celulose continuam aumentando).

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Reforçando o coro, dois eventos dos últimos dias ajudaram a corroborar a visão positiva para o mercado. Os analistas do Credit Suisse estiveram na London Pulp Week e destacaram que os preços de celulose devem continuar altos, apesar da visão de consenso de uma queda iminente, com destaque para a parada operacional da planta de Guaíba, que será suficiente para um avanço nos preços.

Por isso, os analistas mantêm a visão de um aumento adicional de preços em dezembro de 2017, que passou de US$ 20 a tonelada para US$ 30 a tonelada, além de prorrogarem as estimativas de queda da celulose para meados de 2018. 

Suzano e Fibria: principais beneficiárias
Outro evento ajudou a corroborar a perspectiva positiva para os preços da celulose. Na última sexta-feira (10), após participar de evento da Suzano na B3 que marcou a entrada da companhia no Novo Mercado, o CEO (Chief Executive Officer) da companhia, Walter Schalka, ressaltou ver risco de desabastecimento de celulose no mundo ao apontar que os portos chineses reportaram em 31 de outubro
os menores níveis de estoque de celulose da história. O cenário é mais benigno, apontou, devido à demanda crescente e à falta de grande oferta adicional
prevista. 

Assim, o que parecia um cenário de temor, aos poucos acabou se tornando em um ambiente menos nocivo para as empresas do setor. Em suma, os estoques mais baixos na China, a expectativa de produção menos acelerada da CMPC e o foco dos produtores no valor devem fazer com que as expectativas do mercado, que parece excessivamente preocupado com uma correção no primeiro semestre de 2018, não se confirmem em tal magnitude, avalia o Bank of America Merrill Lynch.  

Se a Suzano destacou as suas perspectivas para o mercado na semana passada,  nesta terça-feira, o CFO (Chief Financial Officer) da Fibria, Guilherme Cavalcanti, concedeu entrevista ao InfoMoney sobre as perspectivas para o ano que vem e sobre o projeto Horizonte 2, inaugurado no segundo semestre pela companhia. Confira a entrevista completa clicando aqui. 

As duas companhias, por sinal, são apontadas como ganhadoras nesse cenário que vem se desenhando nas últimas semanas.

Além do Bradesco BBI, que apontou preferência pelas companhias, o Credit Suisse manteve o rating outperform (desempenho acima da média do mercado) para a Suzano, com preço-alvo de R$ 24 por ação SUZB3, destacando a forte performance operacional da empresa, que continua a diminuir custo de caixa e levando à melhora dos resultados. Além disso, espera-se também que a demanda doméstica de papel volte a contribuir positivamente para as margens.

 A preferida, contudo, é a Fibria, com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 60. Os analistas do banco suíço preveem um aumento do fluxo de caixa e uma redução na relação entre dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações). "Acreditamos que Fibria é o maior beneficiário das nossas revisões e do cenário mais otimista para a commodity", avaliam. A Fibria também é a preferida do BofA no setor, apontando estar 22% acima do consenso de mercado com relação à companhia, que negocia a um múltiplo de 5,3 vezes o Ebitda projetado para 2018. A Fibria também está na Carteira InfoMoney de novembro (veja o portfólio completo clicando aqui). 

Desta forma, o temor com a reversão dos preços de papel e celulose diminui, enquanto os investidores seguem de olho nos papéis como um "porto seguro" para 2018. Afinal, o cenário para a eleição do ano que vem é muito indefinido - e, nestes cenários, que também prometem ser de forte volatilidade para o dólar, as ações do setor podem ter um ano promissor. 

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Fibria - Bloomberg
(Bloomberg)

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Thiago Salomão

Editor-chefe do InfoMoney, analista CNPI-P (Fundamentalista e Técnico), criador e analista responsável pela Carteira Recomendada InfoMoney e professor do curso "Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora". Formado em em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em Mercados Financeiros pela Fipecafi e pela UBS/BM&FBovespa.

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