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Haja coragem para ter medo de China

Posições contra o país asiático podem levar dois renomados multimercados brasileiros a fechar o ano atrás do CDI

O Verde, mais renomado multimercado brasileiro, corre o risco de fechar este ano atrás do CDI – o que só aconteceu em dois de seus 20 anos de vida (2008 e 2014) – por culpa da China

Também vai pesar na conta do país oriental se o Gávea Macro, fundo do ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, ficar para trás do referencial em 2017.

Pergunte a um gestor de fundos se o crescimento chinês é sustentável. Ele vai dizer que não. E provavelmente apontará que o avanço do país tem sido baseado em excesso de endividamento e que sequer há como ter certeza sobre os dados oficiais divulgados. As apostas contra a China no portfólio, entretanto, são raras.

O Verde está desde 2015 comprado em dólar contra a moeda chinesa, ou seja, posicionado para ganhar caso o renminbi se desvalorize frente à moeda americana. Com base em fundamento semelhante, a Gávea está em dólar contra moedas asiáticas. A tese é, nos dois casos, bastante convincente – e até atraente pela originalidade em relação à maior parte dos multimercados, concentrados no otimismo com Brasil.

Enquanto ela não se realiza, entretanto, exige estômago do investidor. O Verde, no ano, rende 4,42%. O Gávea Macro, 3,72%. Ambos bem atrás do CDI, em 8,78%. Tem sido claramente um ano duro para dois multimercados de belo histórico – o Verde rende 149,95% do CDI nos últimos cinco anos e o Gávea Macro, 117,18% do CDI.

Além do timing de China, o próprio enfraquecimento do dólar – não somente contra as moedas asiáticas – tem dificultado a vida dos multimercados assim posicionados.

Nas cartas em que discutiu mais profundamente a questão chinesa, a equipe da Verde destacou o desespero das autoridades chineses em tentar impor novos controles de capital e os dilemas da economia em termos de crescimento, com o governo injetando novas doses de estímulo ao crédito.

A Gávea segue com a tese de risco de crédito e sobreinvestimento para China, com um grau elevado de controle de capitais, mas reduziu a posição recentemente. Dentre os motivos apontados estão os dados fortes vindos do setor de tecnologia do país. Ainda há dúvidas se são resultados pontuais ou sustentáveis, mas parecem indícios de que a nova China pode estar ajudando a salvar a velha China – ou pelo menos a adiar mais uma vez o seu declínio.

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Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Yuan
(Shutterstock)

perfil do autor

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Luciana Seabra

CFP®, é jornalista e mestre em Economia. Foi repórter de investimentos por cinco anos do Valor Econômico, reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com o 9º Prêmio Imprensa de Educação ao Investidor. É responsável pelo primeiro relatório de análise independente de fundos do Brasil, “Os Melhores Fundos de Investimento” na Empiricus.

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