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Se reforma da Previdência for aprovada no "cenário otimista", Bolsa pode encostar nos 80 mil pontos, diz XP

Analistas da XP divulgaram relatório nesta segunda-feira em que destacaram perspectivas para juros, Bolsa e câmbio com aprovação da reforma

SÃO PAULO - O grande evento do calendário brasileiro em 2017 é a reforma da Previdência, destaca a XP Investimentos em relatório, apontando que os principais ativos sofrerão impactos significativos com base no desfecho final da proposta. Os analistas Celson Plácido e Gustavo Cruz apontam o por que da discussão de uma reforma, quais são as propostas, os pontos sensíveis à alteração e o seu impacto para os principais indicadores de mercado. 

Conforme destacam Plácido e Cruz, um dos pontos mais importantes da reforma da Previdência consiste em estabelecer uma idade mínima de 65 anos para aposentadoria, igualando todos os regimes, ou seja, homens, mulheres, trabalhadores urbanos, trabalhadores rurais, servidores públicos e servidores privados terão o mesmo critério. Além disso, um dos pontos que devem ser revistos será a possibilidade de se acumular aposentadorias e pensões por morte. Outro ponto é a ideia da proposta é elevar a idade para acesso das pessoas elegíveis ao benefício da prestação continuada até chegar aos 70 anos, desvincular o valor do benefício ao salário mínimo, e vedar o acumulo do BPC com outros benefícios sociais.

Em meio a tantas mudanças (impopulares) propostas pelo governo, há algumas pressões para alteração dentro do Congresso, destaca a XP Investimentos. Deputados e Senadores hoje concentram as principais críticas na regra de transição, reivindicando um modelo mais lento e sem descontinuidades. Também há pressões para redução dos 49 anos de contribuição, bem como contra a proposta de desvinculação do BPC do salário mínimo e demais alterações nesse ponto. Aposentadorias rurais e idade mínima idêntica para homens e mulheres também sofrem forte pressão, apontam. 

Os investidores seguem atentos à reforma, que deve ter efeito sobre a Bolsa e juros. Conforme destacam Plácido e Cruz, atualmente a maioria dos investidores considera que a proposta será aprovada, o que naturalmente faz com que sejam antecipados os efeitos positivos da implementação da reforma, e fazendo com que boa parte dos preços de ativos incorporem esse cenário. "No entanto, ainda não está claro o quanto da reforma será aprovada, o que certamente provocará um grande movimento após as votações nas casas. Ainda é importante lembrar que existem muitos  investidores estrangeiros que estão interessados em entrar na Bolsa, mas aguardam o desfecho da proposta, por considerarem um evento muito importante para decidirem se irão se posicionar em Brasil ou não", afirmam. Os analistas mantêm a perspectiva do  relatório “Cenário 2017”, divulgado no dia 10 de janeiro. No cenário otimista, a Bolsa iria a 79.450 pontos, no cenário base (+22%), o Ibovespa iria a 73.450 pontos (+13%) e no pessimista, o benchmark da Bolsa iria a 57 mil pontos (12%).

No call de juros, a XP lembra que já foi dito diversas vezes pelo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, que a aprovação das reformas permitirá um corte maior da taxa de juros, atualmente em 12,25%. A lógica é que com a reforma da Previdência aprovada diminui ainda mais a probabilidade de um cenário de default e espiral inflacionária, o que contribui para a inflação se comportar em torno da meta, permitindo maiores cortes na taxa de juros. No cenário otimista, a Selic iria a 8,50% ao ano, no cenário-base os juros iriam para 9,25%. Já no cenário pessimista, a Selic iria para 10% ao ano.

No cenário de câmbio, o dólar possui lógica bem semelhante a taxa de juros. A moeda brasileira deve ter uma pressão de valorização com a reforma sendo aprovada, por resultar em um quadro de melhora da trajetória das contas públicas. Os analistas reforçaram a posição do relatório divulgado no dia 28 de março. No cenário otimista, o dólar estaria entre R$ 2,90 e R$ 3,15. No cenário-base, o dólar ficaria entre R$ 3,10 e R$ 3,40. Por fim, no pessimista, a divisa americana ficaria entre R$ 3,30 e R$ 3,70. 

Necessária, mas não suficiente
Os analistas concluem o relatório, apontando que a reforma da Previdência pode ser um grande avanço do Brasil para uma era de reformas que estabilizem as contas públicas e melhorem o ambiente de negócios no país. "No entanto, reforçamos que a proposta não resolve todo o desajuste fiscal do país, sendo necessário seguir com a agenda reformista, o que eleva a importância da eleição de 2018, na qual seria melhor para o país, que a disputa fosse entre candidatos conscientes dessa necessidade. A reforma da previdência beneficia bem mais os próximos presidentes do que o atual. O ideal é que o sucessor de Temer não se aproveite da situação para tomar medidas populistas e continue com o pulso firme nas reformas".

Sobre o cronograma, a aposta do governo é para que a reforma seja aprovada totalmente até meados de julho, antes do recesso parlamentar, mas há possibilidade real de que a votação possa passar para meados de agosto ou mesmo setembro."Qualquer atraso no calendário que estimamos abaixo termina por impactar todo o calendário, empurrando a votação final para o segundo semestre. No momento, não há elementos que justifiquem atrasos", afirmam. 

 

Jovem investidora comemorando
(Shutterstock)

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