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Ibovespa tem 3ª semana seguida de queda e fecha no menor patamar desde o "terremoto da JBS"

Na volta do feriado, índice não encontra forças para evitar a volta aos piores níveis desde o começo da maior crise do governo Michel Temer

SÃO PAULO - Na volta do feriado de Corpus Christi, que manteve a B3 sem negociações na véspera, o mercado acionário local passou o pregão da sexta-feira repercutindo o pessimismo visto no movimento dos ADRs de companhias brasileiras em Wall Street, além do impasse no campo político. Sem forças para reação, o Ibovespa conheceu sua terceira semana consecutiva de queda, registrando variação negativa acumulada de 0,94%. Nesta sexta-feira, o índice fechou em queda de -0,48%, a 61.626 pontos, em seu menor fechamento desde o dia em que foi acionado o mecanismo de "circuit breaker" por duas vezes, após a revelação do áudio da conversa do presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista. O giro financeiro negociado foi de R$ 11,52 bilhões, acima da média dos últimos 21 dias (R$ 7,23 bilhões)

O impasse do cenário político também segue no radar, fazendo com que investidores evitem grandes apostas no curto prazo. A expectativa é que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresente na próxima semana denúncia contra o presidente Michel Temer, por corrupção passiva e obstrução de justiça, com base nas delações dos empresário da JBS. "O problema é que enquanto temos disputas... em torno da manutenção da Presidência, nada tramita na velocidade esperada", escreveram analistas da corretora Lerosa Investimentos, em nota a clientes, referindo-se ao andamento das reformas no Congresso Nacional.

Os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 encerraram o dia em queda de 9 pontos-base, a 9,10%, ao passo que os DIs com vencimento em janeiro de 2021 recuaram 12 pontos-base, a 10,10%. Já os contratos de dólar futuro com vencimento em julho avançaram 0,46%, a R$ 3,3302. O dólar comercial, por sua vez, subiu 0,20% ante o real, cotado a R$ 3,2871 na venda.

O movimento no mercado de renda fixa também seguiu a repercussão de notícia veiculada pelo jornal Valor Econômico que diz que o governo irá alterar a meta de inflação dos atuais 4,5% para 4,25% em 2019. Segundo a colunista Claudia Safatle, existe um entendimento no Conselho Monetário Nacional de que, mesmo diante da atual crise política, existe espaço para retomar o processo gradual de desinflação com uma redução suave na meta. A ideia seria consolidar um patamar mais baixo de inflação sem que o país tenha que pagar com a elevação da taxa básica de juros recebeu apoio de casas de análise importantes no país. (Para entender melhor os efeitos disso na economia e no mercado, clique aqui).

Confira os destaques deste pregão:

Destaques da Bolsa
Do lado acionário, chamaram atenção neste pregão os papéis da Petrobras (PETR3, R$ 13,49, -0,37%; PETR4, R$ 12,28, -2,69%), que digeriram a queda dos ADRs na véspera e repercutiram o anúncio de novo reajuste nos preços dos combustíveis. Segundo a estatal, será feita uma redução do preço médio nas refinarias em 2,3% para a gasolina e em 5,8% para o diesel. A decisão foi anunciada menos de um mês após o ajuste anterior e novos preços entraram em vigor nesta quinta-feira. A estatal disse que iniciará a prática de ajustes de preços em períodos mais curtos.

Segundo os analistas do Credit Suisse, o prêmio ante preços internacionais havia se ampliado muito recentemente e chegou a atingir 16% no diesel e 19% na gasolina, antes desse último anúncio da Petrobras. Para o Santander, os novos valores implicam diesel com prêmio de cerca de 9,7% sobre os preços internacionais e gasolina com desconto de 2,3% e em linha com preços no Golfo do México e Europa.

Já a JBS (JBSS3, R$ 6,62, -2,07%) viu seus papéis virarem de uma alta de quase 6% no intraday para uma queda superior a 2%. No radar da companhia, destaque para a notícia de que a holding J&F -- cujo rating foi rebaixado pela S&P na última quarta-feira -- planeja vender ao menos R$ 8 bilhões em ativos no curto prazo. O jornal Valor Econômico informa, nesta sexta-feira, o grupo chileno Arauco está na dianteira do processo de compra do controle da Eldorado Brasil Celulose, com uma oferta acima de R$ 11 bilhões de valor total do ativo (incluindo a dívida de R$ 8 bilhões da fabricante de celulose). As expectativas são de que um desfecho para a operação bilionária seja anunciado entre hoje e o fim de semana.

O jornal O Estado de S. Paulo de hoje também informa que já estão aparecendo interessados na compra da Alpargatas, dona da marca Havaianas. Segundo a publicação, um dos nomes cogitados é o do fundo Cambuhy, que tem entre os sócios a família Moreira Salles. Mas há uma série de outros interessados, apesar de se dizer que o cheque é alto e que o processo de desinvestimento ainda está confuso por não ter sido formalizado.

Na contramão dos preços do minério de ferro, as ações da Vale (VALE3, R$ 25,56, -2,07%; VALE5, R$ 24,32, -0,37%) fecharam em queda nesta sessão, digerindo o pregão negativo dos ADRs na véspera, quando o mercado brasileiro esteve fechado por conta do feriado de Corpus Christi. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 17,89, -1,60%) -- holding que detém participação na Vale -- e as siderúrgicas, cujos ADRs também caíram forte ontem em Wall Street.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Ibovespa, foram:

 C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSNA3 SID NACIONALON 6,24 -3,55 -42,49 48,57M
 PETR4 PETROBRAS PN 12,28 -2,69 -17,42 901,04M
 LAME4 LOJAS AMERICPN 13,90 -2,59 -18,12 90,29M
 BBDC3 BRADESCO ON 26,31 -2,56 -0,40 111,16M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 66,04 -2,32 +20,62 53,57M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Ibovespa, foram:

 C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SBSP3 SABESP ON 32,00 +4,13 +15,39 125,03M
 SMLE3 SMILES ON 64,49 +4,02 +54,70 44,48M
 EGIE3 ENGIE BRASILON 34,41 +3,64 +0,19 111,65M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 9,80 +2,62 +21,54 27,38M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 15,32 +2,47 +10,78 195,47M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Ibovespa, foram :

 C?digo Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 12,28 -2,69 901,04M 622,84M 43.505 
 VALE5 VALE PNA 24,32 -0,37 577,13M 587,60M 29.148 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,78 -2,20 560,53M 317,57M 39.279 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 36,15 -0,71 517,46M 572,75M 21.865 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 27,49 +0,37 493,48M 270,85M 22.664 
 PETR3 PETROBRAS ON 13,49 -0,37 414,63M 155,48M 26.816 
 BBDC4 BRADESCO PN 27,01 -0,48 361,87M 364,95M 19.110 
 VALE3 VALE ON 25,56 -2,07 329,97M 163,40M 13.884 
 BRFS3 BRF SA ON 40,60 -0,32 289,55M 193,92M 13.251 
 UGPA3 ULTRAPAR ON 77,00 +0,25 211,36M 108,97M 6.815 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Destaques políticos
No radar político, chama atenção para as manifestações do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), no sentido de dar celeridade à tramitação de uma esperada denúncia por parte da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer. Para que o peemedebista seja afastado do cargo e responda ao processo, é necessária autorização de 2/3 do plenário da casa legislativa -- o que hoje o governo tem convicção de conseguir evitar. O presidente da Câmara disse que pode ser suspenso o recesso parlamentar caso a denúncia seja apresentada, tendo em vista a influência do processo sobre a recuperação da economia.

Também vale destacar a notícia dada pelo Jornal Nacional de que, em uma visita na noite de quarta-feira a São Paulo, juntamente com o ministro Moreira Franco, Temer recebeu em seu escritório a filha, Maristela, e Arlon Vianna, chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo. Vianna, que também é tesoureiro do PMDB no estado, foi escalado pelo atual presidente para serviços particulares como selecionar profissionais para trabalhar em uma reforma na casa de Norma Tedesco, sogra de Michel Temer. Este é o segundo caso de pessoas próximas ao presidente envolvidas em reformas a imóveis de parentes seus. Auxiliares dizem que Temer pagou a reforma.

Arlon Vianna é amigo do ex-coronel João Baptista Lima, responsável pela reforma na casa de Maristela Temer. Procurado pela reportagem, ele disse inicialmente que "nunca se envolveu na reforma". Depois de informado sobre a confirmação pelo próprio Planalto, ele mudou a versão: "Não indiquei empresa. Indiquei, se não me falha a memória, um pintor. Que nem sei onde está".

Prévia do PIB
O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), conhecido pelo mercado como uma espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto, registrou crescimento de 0,28% em abril na comparação com março, segundo dados dessazonalizados divulgados pelo BC. A leitura ficou praticamente em linha com a expectativa de crescimento de 0,30% no mês na mediana das projeções em pesquisa da Reuters.

Agenda internacional
No exterior, após um turbilhão de dados apresentados na véspera, os Estados Unidos voltaram a atrair as atenções com a divulgação das construções de moradias iniciadas. O indicador registrou queda de 5,5% em maio na comparação com o mês anterior, após ajustes sazonais. Foi o terceiro recuo consecutivo do indicador, contrariando a previsão de alta de 3,4% dos analistas consultados pelo Wall Street Journal. Com isso, o Departamento de Comércio informou que as construções de moradias iniciadas ficaram na taxa anualizada ajustada de 1,092 milhão. O dado tem uma margem de erro de 11,9%.

Mais cedo, foi divulgado o índice de preços ao consumidor da zona do euro. Segundo a autoridade estatística da União Europeia, o CPI local recuou 0,1% em maio na comparação com o mês anterior, mas avançou 1,4% na comparação anual. Os números vieram em linha com a previsão dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal. O núcleo da inflação ao consumidor, que retira itens voláteis como alimentos e energia, registrou queda mensal de 0,1% e alta anual de 0,9% em maio. A meta para a inflação da zona do euro do Banco Central Europeu é de pouco menos de 2%.

Bolsas mundiais
Os mercados acionários europeus avançaram nesta sexta-feira após dois dias de perdas, com o setor financeiro impulsionado por um acordo sobre a dívida grega que aliviou ainda mais as preocupações políticas na zona do euro, porém preocupações com a concorrência pressionaram os varejistas da Europa. O índice FTSEurofirst 300 subiu 0,63%, a 1.528 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 0,66%, a 389 pontos.

Os governos da zona do euro deram à Grécia outro crédito de última hora no valor de 8,5 bilhões de euros na quinta-feira e esboçaram novos detalhes sobre um possível alívio da dívida, já que o Fundo Monetário Internacional finalmente se ofereceu para ajudar depois de dois anos de hesitação.

O índice de Atenas subiu 0,8%, tendo atingido a máxima de dois anos, com alguns analistas dizendo que esperam que qualquer acordo de alívio da dívida permitirá uma valorização das ações gregas. Por outro lado, os varejistas europeus ampliaram a queda da sessão anterior e atingiram a mínima de dois meses após a Amazon dizer que comprará a rede de supermercados de produtos orgânicos dos Estados Unidos Whole Foods e pelas preocupações com o aumento da concorrência.

Nos Estados Unidos, o dia foi misto, com os mercados de olho na compra bilionária da Whole Foods pela Amazon, do lado corporativo, e nos indicadores de confiança do consumidor e do setor imobiliário, no âmbito econômico. Desde o último registro da inflação ao consumidor, o mercado norte-americano tem acompanhado com preocupação dados que podem dar novas pistas sobre o nível de recuperação da atividade econômica.

Já na Ásia, os mercados acionários da China recuaram e terminaram a semana em baixa, uma vez que dados fracos de inflação ao produtor e do investimento reforçaram as preocupações acerca de uma nova desaceleração da segunda maior economia do mundo.A alta das ações blue-chips, que tiveram desempenho melhor do que as das pequenas empresas neste ano, parece estar perdendo força em meio a sinais de aperto monetário e nova fraqueza econômica.

Painel de ações
(Shutterstock)

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