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Embraer dispara 5% antes da feira de Paris e Vale salta 2% com minério; só 15 das 58 ações do Ibovespa caem

Confira os principais destaques de ações desta segunda-feira

SÃO PAULO - Embalado pela alta do minério de ferro, que impulsionou as ações da Vale, o Ibovespa encerrou o pregão desta segunda-feira (19) em alta de 0,63%, a 62.014 pontos, enquanto os contratos futuros do dólar - negociados sob o ticker DOLN17 - registravam queda de 0,20%, a R$ 3,299.

Em dia positivo no mercado brasileiro, apenas 15 das 58 ações do principal índice de ações da bolsa fecharam em queda, com destaque para a JBS, que caiu pelo 9º pregão seguido, acumulando perdas de 20% no período. Do outro lado, o destaque foi a Embraer, que disparou 5%, com investidores à espera do Paris Air Show. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da bolsa nesta segunda-feira:

Embraer (EMBR3, R$ 16,18, +4,93%)
As ações da Embraer dispararam nesta sessão e lideraram os ganhos do Ibovespa, com os investidores de olho no International Paris Air Show, evento que reúne as gigantes do setor aéreo na França esta semana. 

Veja mais: Quatro motivos para comprar as ações da Embraer no curto prazo

Em entrevista à Bloomberg TV, o CEO da companhia Paulo Cesar Silva afirmou que a Embraer está “muito feliz” com o nível de demanda pelas aeronaves E2 e vê potencial para 600 encomendas, incluindo pedidos firmes, cartas de intenções, memorandos de entendimento. Segundo ele, a família E2 está no prazo e dentro do orçamento; a entrada em operação é esperada para primeiro semestre de 2018. Ele ainda afirmou que o mercado de jatos comerciais está lotado e “sob enorme pressão”, espera-se um mercado mais neutro em dois anos. A expectativa de que governo dos EUA aprove vendas de jatos ao Irã “em breve”, mas é difícil prever um prazo.

Ele ainda afirmou que a instabilidade política no Brasil prejudica a imagem das empresas locais; porém, apontou, a Embraer não é afetada porque maior parte de suas receitas vem de fora do Brasil. Ao falar sobre o câmbio, Silva destacou que a volatilidade da moeda é “muito desafiadora”, mas não é uma grande questão para a Embraer pelo hedging e exposição a outras moedas.

Neste domingo, Paulo Cesar Silva disse em entrevista que Embraer espera receber encomenda do avião de transporte militar e reabastecimento KC-390 de um novo cliente ainda este ano e que está em negociações com países como Portugal e Nova Zelândia.

Destaque ainda para a notícia do jornal O Estado de S. Paulo de que o avião de ataque A-29 Super Tucano, da Embraer Defesa e Segurança (EDS), será avaliado em julho pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), para substituição do jato A-10 Javali na frota de ações contra alvos no solo. Os ensaios serão conduzidos no complexo de Holloman, no Novo México. A observação ainda não é um programa, todavia, especialistas militares americanos estimam que um futuro pacote, a ser definido nos próximos anos, possa abranger mais de 120 unidades, valendo acima de US$ 1,2 bilhão.

O convite é importante para a Embraer. A demanda por aeronaves da classe do Super Tucano está em crescimento na Ásia, África, Oriente Médio e América Latina. O convite do Pentágono é fator de prestígio, e eventualmente um bom argumento comercial, em um segmento avaliado em US$ 3,5 bilhões, envolvendo encomendas potenciais de 300 aeronaves. O principal produto militar da companhia já atua regularmente na aviação do Afeganistão, Angola, Brasil, Burkina-Fasso, Chile, Colômbia, Equador, Indonésia, EUA, Líbano, Mauritânia, Mali e Republica Dominicana. Confira mais clicando aqui. 

Vale (VALE3, R$ 26,39, +3,25%; VALE5, R$ 24,77, +1,85%)
Acompanhando o minério, as ações da Vale subiram nesta segunda-feira. Hoje, o minério de ferro spot (à vista) negociado no Porto de Qingdao, na China, teve alta de 1,94%, a US$ 56,30 a tonelada, enquanto os contratos futuros da commodity negociados na bolsa chinesa de Dailian avançaram 0,70%, a 433 iuanes. 

No programa "Ultramaratona Profissão Trader" do último domingo, o analista Rodrigo Cohen, da Rico Corretora, recomendou a compra das ações da Vale acima do patamar de R$ 24,55, com alvo em R$ 25,83, representando um ganho potencial de 5% (veja aqui). 

O movimento de alta foi visto também nas ações da Bradespar (BRAP4, R$ 18,25, +2,01%) - holding que detém participação na Vale -, enquanto as siderúrgicas fecharam entre perdas e ganhos, com Gerdau (GGBR4, R$ 9,21, +2,11%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 4,45, 0,0%), Usiminas (USIM5, R$ 3,98, -0,25%) e CSN (CSNA3, R$ 6,24, 0,0%). 

Petrobras (PETR3, R$ 13,33, -1,19%;PETR4, R$ 12,29, +0,08%) 
As ações da Petrobras fecharam entre perdas e ganhos, em dia de vencimento de opções sobre ações na bolsa, que, normalmente, traz volatilidade para os papéis. Lá fora, o pregão foi de queda para os preços do petróleo. Os contratos futuros do WTI fecharam em baixa de 0,97%, a US$ 44,13 o barril. 

 
A Petrobras informou que a sua produção total de petróleo e gás natural, em maio, foi de 2,80 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), sendo 2,68 milhões boed produzidos no Brasil e 120 mil boed no exterior.

A produção média de petróleo no país foi de 2,18 milhões de barris por dia (bpd), volume 3,9% superior ao de abril. Esse resultado se deve, principalmente, ao início de produção de mais um projeto, no sul do campo de Lula, na Bacia de Santos, através da plataforma P-66, no dia 17 de maio; ao retorno à produção após parada para manutenção das plataformas P-37 (campo de Marlim na Bacia de Campos) e FPSO Cidade de Angra dos Reis (campo de Lula), assim como a entrada de um novo poço produtor no campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos. Em maio, a produção de gás natural no Brasil, excluído o volume liquefeito, foi de 78,9 milhões
de m³/d, 0,5% acima do mês anterior. 

Em maio, a produção de petróleo e gás natural operada pela Petrobras (parcela própria e dos parceiros), na camada pré-sal, foi de 1,57 milhão de boed, volume 5,1% acima do realizado no mês anterior. Esse resultado decorreu, principalmente, do início da produção do projeto Lula Sul, através da P-66, e do retorno à produção após parada para manutenção da plataforma FPSO Cidade de Angra dos Reis.

JBS (JBSS3, R$ 6,35, -4,08%)
As ações da JBS afundaram em mais um dia de noticiário agitado para a empresa. Essa foi a nona queda seguida dos papéis, que acumulam no período desvalorização de 20%. 

Segundocontas da empresa. Seria uma retaliação pelo fato de Joesley Batista ter acusado o presidente Michel Temer de receber propina em depoimento de delação premiada. Os interlocutores da empresa receberam uma negativa como resposta, mas foram avisados de que há vários procedimentos instaurados envolvendo firmas do grupo J&F e outros serão abertos com base nos crimes que seus donos confessaram." target="_blank"> o jornal O Estado de S. Paulo, executivos da JBS procuraram dirigentes da Receita Federal preocupados com especulações de que o governo havia determinado uma devassa nas contas da empresa, como retaliação pelo fato de Joesley Batista ter acusado o presidente Michel Temer de receber propina em depoimento de delação premiada. Os interlocutores da empresa receberam uma negativa como resposta, mas foram avisados de que há vários procedimentos instaurados envolvendo firmas do grupo J&F e outros serão abertos com base nos crimes que seus donos confessaram. 

Já a Folha de S. Paulo destacou que depois de investir em propagandas com celebridades como Tony Ramos e Roberto Carlos para promover a Friboi, a JBS mudou de estratégia e deixou de imprimir o nome da marca na etiqueta de seus produtos em meio à crise da marca. O jornal destaca que a linha de itens Do Chef Friboi, também fabricada pela JBS, foi distribuída para os supermercados com uma logomarca diferente da original. 

A etiqueta das bandejas com data de fabricação a partir da primeira semana deste mês traz apenas a marca Do Chef, sem a palavra Friboi. Estratégia semelhante deve ser aplicada pela JBS na marca Maturatta Friboi, informa a Folha. Ao ser questionada pelo jornal, a JBS respondeu que as operações seguem normais. "A Friboi tem um grande portfólio de marcas, que segue uma estratégia de canais de distribuição e mercados preferenciais. Todas seguem operando normalmente, conforme seus planejamentos de longo prazo", disse a JBS.

O jornal também ressalta que a J&F, acusada de montar operações no mercado financeiro para faturar com as acusações que fez ao presidente Michel Temer e outros políticos, decidiu contratar uma auditoria externa e promover uma devassa nos dados relativos à compra de ações e operações de câmbio da empresa. Ela prepara material para se defender nas investigações de que se tornou alvo após a divulgação das delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Por fim, a Eldorado, da J&F, disse em comunicado que sua controladora 
assinou acordo de confidencialidade com Arauco para análise de eventual transação.

Copel (CPLE6, R$ 25,50, -0,62%)
A estatal paranaense de energia Copel e o grupo francês Voltalia receberam autorização para iniciar a operação comercial de três parques eólicos no Rio Grande do Norte, segundo publicação no Diário Oficial da União desta segunda-feira.

A autorização dada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é válida desde 17 de junho para as usinas Reduto e Carnaúbas, instaladas no município de São Miguel do Gostoso, e a de Santo Cristo, em Tourus. As turbinas liberadas para operação nas usinas somam 81 megawatts em capacidade. 

Segundo informações do site das empresas, essas usinas formam o Complexo Eólico São Miguel do Gostoso, no qual a Copel possui 49 por cento de participação e a Voltalia é majoritária, com 51 por cento.

Cosan (CSAN3, R$ 31,28, +0,58%)
A Raízen Energia, joint venture entre os grupos Cosan e Shell, venceu na sexta-feira, 16, o leilão judicial e vai ficar com duas usinas de açúcar e álcool que pertencem ao grupo Tonon Bioenergia. A companhia fez uma oferta de R$ 823 milhões pelas duas unidades que ficam no interior de São Paulo. A conclusão do negócio ainda depende de trâmites relativos à recuperação judicial em curso da Tonon.

Em relatório, o BTG Pactual destaca que a oferta implica em R$ 144,40/tonelada ou US$ 43,6/tonelada – abaixo da média histórica da indústria que é US$ 84,5/tonelada e bem abaixo do múltiplo que a São Martinho está negociando de US$ 110 a tonelada.

"Achamos o movimento positivo considerando a desalavancagem e acreditamos que os preços de açúcar vão se recuperar em breve e a Cosan não vai comprar capacidade mas a cana-de-açúcar, o que poderia ser positivo para a diluição de custo. Vale ressaltar que ainda há condições precedentes e aprovação do Cade para que o acordo seja concluído, mas acreditamos que isso não impedirá a conclusão", comentaram os analistas do banco. A recomendação de compra foi mantida.

Recomendações
No radar de recomendações, a B3 (BVMF3, R$ 19,28, +1,85%) foi elevada de manutenção para compra no Deutsche Bank, enquanto a Tegma (TGMA3, R$ 14,00, 0,0%) teve cobertura iniciada com recomendação neutra pelo Safra.

Além disso, o Santander atualizou suas estimativas para a Iochpe-Maxion (MYPK3, R$ 16,81, +1,88%), reiterando recomendação de compra e introduzindo um novo preço-alvo por ação de R$ 24,00 para 2018, frente R$ 20,00 projetado até o fim de 2017. Os analistas citam que a empresa oferece uma atrativa combinação de melhora operacional, resultando em um aumento de 70 pontos-base na margem Ebitda (Ebitda/Receita Líquida) ao longo de 2018 e crescimento de LPA (Lucro Por Ação), com a companhia colhendo os benefícios de uma menor alavancagem.  

E195-E2 Embraer
(Divulgação)

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