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Com ajuda da Vale, Ibovespa sobe e supera os 62 mil pontos; DIs caem após dados de inflação

Índice tem sessão de alta apesar de cenário conturbado na política; dólar fica estável e juros futuros reagem à sinalização de Temer sobre inflação

SÃO PAULO - Embalado pela queda dos DIs e pela alta do minério de ferro, que impulsionaram as ações da Vale para ganhos de mais de 3%, o Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira (19). Apesar do dia positivo, o mercado segue atento ao cenário político, com destaque para a entrevista de Joesley Batista à revista Época.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com ganhos de 0,63%, aos 62.014 pontos, após subir 1,05% na máxima do dia. O volume financeiro ficou em R$ 8,873 bilhões. Já o dólar comercial encerrou o dia com queda de 0,07%, cotado a R$ 3,2849 na venda, ao passo que o contrato futuro do dólar com vencimento em julho recuou 0,21%, a R$ 3,298.

Os juros futuros com vencimento em 2018 recuaram 8 pontos, para 9,02%, enquanto com vencimento em 2021 registraram queda de 10 pontos, aos 9,98%, ambos fechando o gap aberto no pregão de 18 de maio, quando os juros dispararam após a divulgação do áudio envolvendo Joesley Batista e Michel Temer. A reação ocorre aos resultado do IGP-M e ao relatório Focus, divulgados nesta manhã.

No início dos negócios, os contratos chegaram até a subir, mas logo reverteram para queda após o presidente Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmar que a Selic está em processo de queda "em face das expectativas de inflação ancoradas em torno da meta, da inflação em queda, e do alto grau de ociosidade na economia". Para o economista Antônio Madeira, da MCM Consultores, "os recentes discursos do presidente do Banco Central reafirmam a sinalização da última nota do Copom de que ajuste mais moderado da Selic se mostra adequado para a próxima reunião".

Para ajudar na queda do juro, segundo informações da Bloomberg, Temer quer que a meta de inflação para 2019 seja ajustada para 4% em vista do bom comportamento da inflação. Vale destacar que o CMN (Conselho Monetário Nacional) irá se reunir dia 29 de junho e as especulações na sexta-feira (16) apontavam que a meta será reduzida dos atuais 4,50% para 4,25%.

Destaques da bolsa
Além das ações da Vale, destaque de alta para a Embraer, após o presidente da companhia, Paulo Cesar Silva, afirmar que está confiante que a empresa consiga novos pedidos no Internacional Paris Air Show, maior evento de aviação mundial, que será realizado nesta semana. Além disso, segundo jornais, a Força Aérea dos EUA pretende fazer testes em julho com o Super-Tucano, aviação de caça da empresa brasileira.

Do lado negativo, as ações da JBS recuaram com notícias sobre possível retaliações do governo de Michel Temer à empresa depois de todo o caos político gerado por Joesley Batista.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 EMBR3 EMBRAER ON EJ 16,20 +5,06 +2,39 77,15M
 VALE3 VALE ON 26,39 +3,25 +13,48 151,52M
 RENT3 LOCALIZA ON 44,19 +2,29 +36,21 36,35M
 CCRO3 CCR SA ON 16,89 +2,12 +7,03 57,00M
 GGBR4 GERDAU PN 9,21 +2,11 -14,72 45,12M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 JBSS3 JBS ON 6,35 -4,08 -44,12 134,89M
 SBSP3 SABESP ON 31,25 -2,34 +12,68 46,89M
 SMLE3 SMILES ON 63,10 -2,16 +51,37 34,76M
 FIBR3 FIBRIA ON 36,21 -2,14 +16,33 64,76M
 MRVE3 MRV ON 12,88 -1,68 +23,04 61,48M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 12,29 +0,08 565,80M 606,81M 34.821 
 VALE5 VALE PNA 24,77 +1,85 485,99M 532,66M 25.254 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,87 +0,51 336,46M 332,01M 23.975 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 36,34 +0,53 219,46M 563,54M 14.347 
 BBAS3 BRASIL ON EJ 27,13 -1,31 174,01M 270,17M 15.576 
 VALE3 VALE ON 26,39 +3,25 151,52M 161,15M 13.718 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 19,28 +1,85 149,67M 194,57M 15.200 
 JBSS3 JBS ON 6,35 -4,08 134,89M 243,26M 29.115 
 BBDC4 BRADESCO PN 27,08 +0,26 124,76M 358,63M 12.662 
 PETR3 PETROBRAS ON 13,33 -1,19 106,62M 162,59M 11.901 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Expectativa para inflação em queda
O agravamento da crise política política e as dúvidas com relação ao andamento da agenda de reformas mais uma vez afetaram as expectativas dos economistas semanalmente consultados pelo Banco Central. Na mais recente edição do relatório Focus, divulgada na manhã desta segunda-feira, a mediana das projeções para o PIB (Produto Interno Bruno) recuaram de 0,41% para 0,40% neste ano e de 2,30% para 2,20% no ano seguinte.

Em decorrência do nível de atividade mais baixo, as projeções para a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), recuaram de 3,71% para 3,64% em 2017 e de 4,37% para 4,33% em 2018. A expectativa de queda dos preços também contribui para a queda dos juros futuros nesta segunda-feira, destaca o economista da MCM Consultores.

Ainda sobre o futuro da inflação, para Antônio Madeira, o Banco Central irá avaliar os impactos da crise política sobre a atividade econômica, câmbio e, por consequência, na inflação - "ainda no que diz respeito à inflação, pode ocorrer uma alta das expectativas se os investidores voltarem a ficar preocupados com a trajetória futura do déficit público".

Novo capítulo da crise política
Apesar do movimento de alta do mercado, os investidores seguem atentos ao caos político, com mais um escândalo envolvendo Michel Temer. Em entrevista à revista Época desta semana, o empresário Joesley Batista (cuja delação levou à maior crise política do governo Michel Temer) afirmou que o presidente é chefe de organização criminosa e reafirmou a acusação de que o presidente comprou o silêncio de Eduardo Cunha. Temer respondeu dizendo que processará Joesley nas esferas civil e criminal. Segundo o Planalto, “ódio” que Joesley teria do governo Temer deve-se ao fato de o empresário ter encontrado “as portas fechadas na administração federal para seus intentos”.

Além disso, segue a expectativa pelo desenrolar da denúncia a ser apresentada contra o presidente de Temer por Janot ainda essa semana. Contudo, o jornal O Estado de S. Paulo destaca que, antes da denúncia de Janot ir ao Congresso, ela terá de passar pelo STF, onde ficará ao menos 20 dias. Atento a tudo isso, a base aliada prepara uma estratégia para encontrar um relator favorável ao governo na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça ), como também estão muito próximos dos deputados para evitar que a oposição consiga os 342 votos para endossar as acusações do procurador-geral e permitir que o Supremo Tribunal Federal leve o caso adiante.

Ainda no radar político, o ministro do Supremo Marco Aurélio Mello negou a solicitação feita o na sexta pela defesa do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) para que o pedido de prisão contra ele seja julgado por todos os 11 integrantes da Corte, em plenário, e não pela Primeira Turma, composta por cinco ministros, conforme previsto. Na decisão, Marco Aurélio considera que o "desfecho desfavorável a uma das defesas é insuficiente ao deslocamento". Com o pedido indeferido, o caso segue com a Primeira Turma. Está agendado para terça-feira (20) o julgamento de dois recursos: um do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que quer a prisão preventiva de Aécio, e outro do próprio senador pedindo que seja assegurada sua liberdade.

Expert 2017
A agenda econômica da semana pouco movimentada será compensada com a Expert 2017, evento promovido pela XP Investimentos que trará nomes ilustres do mercado financeiro e da política para palestrarem, dentre eles Armínio Fraga, Luis Stuhlberger, Luiz Barsi, João Doria e Deltan Dallagnol. A Expert acontecerá entre os dias 22 e 24 de junho em São Paulo e os ingressos para acompanhar presencialmente podem ser adquiridos neste link: www.expertxp.com.br/expertclientday.

Analistas
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