Em mercados / acoes-e-indices

Magazine Luiza e B2W caem com possível expansão da Amazon no Brasil; Kroton afunda 6% e Fibria salta 4%

Confira os destaques de ações da B3 na sessão desta quarta-feira

SÃO PAULO - Depois de renovar máxima histórica de fechamento ontem, o Ibovespa passou por uma correção nesta quarta-feira (11), encerrando em queda de 0,31%, a 76.660 pontos, com o "balde de água fria" de Rodrigo Maia sobre Michel Temer e digerindo a ata da última reunião do Federal Reserve, que surpreendeu ao expor uma divisão entre os membros do comitê sobre aumento ou não de juros nos Estados Unidos em dezembro (veja aqui). 

No índice, as ações da Fibria lideraram os ganhos (+4,37%), com revisão para cima de preço-alvo pelo BTG Pactual. Do outro lado, as ações da Kroton foram destaque com queda de 6%, após divulgar queda na base de alunos. Fora do índice, chamaram atenção no final do pregão as ações.com. Os papéis da Magazine Luiza e B2W intensificaram perdas após a Amazon sinalizar possível expansão no Brasil

Veja abaixo os destaques de ações deste pregão:

Empresas.com
As ações da B2W (BTOW3, R$ 23,90, -4,29%) caíram 3,3% das 16h24 (horário de Brasília) até o fechamento do pregão após a Amazon indicar possível expansão no Brasil (veja aqui). Os papéis da Magazine Luiza (MGLU3, R$ 77,00, -3,29%) e Via Varejo (VVAR11, R$ 24,40, -2,90%) também acentuaram perdas com a notícia. 

Segundo informações da Bloomberg, a Amazon.com está recrutando para vários posições no Brasil, sinalizando que o varejista on-line poderia expandir sua presença no maior mercado da América Latina além da venda de livros online. 

Os recentes postos de trabalho da gigante no Brasil incluem gerente de operações tributárias, que se concentraria em "processos fiscais, compliance e documentação para novas iniciativas/lançamentos de empresas. "Outra posição é um gerente de de produto que supervisionaria "lançamentos de grandes novidades em lançamentos ", diz a notícia.

Fibria (FIBR3, R$ 50,54, +4,29%) e Suzano (SUZB5, R$ 20,39, +1,75%)
A despeito da queda do dólar, as ações de empresas do setor de papel e celulose registraram alta. Após colocar a Fibria como top pick do setor na segunda, o BTG Pactual reafirmou visão positiva com a companhia nesta quarta, vendo um potencial de desalavancagem ainda não precificado e elevando o preço-alvo de R$ 45 para R$ 60. Já sobre a Suzano, os analistas destacam o ótimo desempenho operacional somado a melhorias de governança que fazem reiterar a recomendação de compra com o preço-alvo sendo elevado de R$ 23 para R$ 26. Já para a Klabin, a recomendação é neutra, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 19 para R$ 21. 

Vale (VALE3, R$ 31,10, -0,70%;VALE, R$ 28,61, -0,66%)
As ações da Vale caíram pelo quinto pregão seguido, acumulando perdas de 6% no período, acompanhando o desempenho do minério de ferro. A commodity negociada no porto de Qingdao com 62% de pureza, uma das mais acompanhadas pelo mercado, recuou 2,23% nesta quarta, encerrando o dia cotado a US$ 59,65 por tonelada, voltando para o patamar verificado em 27 de junho deste ano. Assim, a commodity acumula queda de 4,2% somente nesta semana.

Seguiram o movimento de queda as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 23,32, -1,06%) - holding que detém participação na Vale - e as siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 11,02, -1,17%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,57, -1,59%) e CSN (CSNA3, R$ 9,65, -3,50%). A exceção foi a Usiminas (USIM5, R$ 9,70, +2,65%), que fechou em alta. 

No mesmo compasso, os contratos futuros negociados na bolsa chinesa de Dalian registraram queda de 0,91%, encerrando o pregão cotados a US$ 66,12 (436 iuanes), desvalorização de 3,9% nos últimos três dias. 

Petrobras (PETR3, R$ 16,64, -0,48%;PETR4, R$ 16,08, -0,68%)
Descoladas dos preços do petróleo, as ações da Petrobras registraram queda nesta sessão. Em Londres, os contratos futuros do Brent subiam 0,09%, a US$ 56,66 o barril, enquanto os contratos do WTI, negociados em Nova York, fecharam em alta de 0,7%, a US$ 51,30 o barril. 

No radar da companhia, atenção para quatro notícias. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais, acusa 40 administradores e ex-administradores da Petrobrás de terem burlado as normas contábeis brasileiras. A suspeita de irregularidade está na reavaliação do valor de ativos como as refinarias Abreu e Lima (Rnest) e o Complexo Petroquímico do Rio (Comperj). A lista de acusados inclui nomes como o diretor financeiro da estatal Ivan Monteiro e os ex-presidentes Aldemir Bendine, Graça Foster e José Sérgio Gabrielli.

O detalhes em torno da suspeita de irregularidade ainda não são públicos. A acusação da CVM indica uma violação por parte dos administradores do chamado “dever de diligência”, que determina, entre outras pontos, que eles zelem pela saúde financeira da companhia. Por isso, nessa etapa das investigações, além dos diretores, todos os conselheiros das gestões que estão sob a mira da CVM se tornam alvo da apuração – uma vez que são responsáveis, respectivamente, pela elaboração das contas e por fiscalizá-las. As falhas nos procedimentos contábeis, realizados anualmente, podem ter levado a Petrobrás a divulgar informações que não refletiam a sua real situação financeira. A revisão de projetos avalia se suas receitas futuras serão suficientes para arcar com os custos de operação e recuperar os investimentos. Caso contrário, são feitas baixas contábeis, que afetam seu lucro e o pagamento de dividendos.

Ainda no noticiário da estatal, ela comunicou uma elevação do preço da gasolina e do diesel em 1,2%, válida na próxima quinta-feira (12) nas refinarias. O Valor, por sua vez, informa que a Justiça Federal de Sergipe suspendeu, por meio de uma liminar, a venda dos campos de Lapa e Iara, no pré-sal da Bacia de Santos, da Petrobras para a francesa Total. O negócio faz parte de um acordo de US$ 2,2 bilhões, assinado entre as duas petroleiras no início do ano, antes da divulgação da nova sistemática de venda de ativos da estatal, e envolve também 50% da TermoBahia - empresa que controla as termelétricas a gás Rômulo de Almeida e Celso Furtado.

Por fim, a Petrobras e a Petrotemex tiveram negócio declarado complexo pelo Cade. que determinou realização de diligências adicionais, conforme despacho publicado no Diário Oficial. As diligências terão os seguintes objetivos de acordo com site do Cade: *solicitar ao Departamento de Estudos Econômicos do Cade a elaboração de estudo quantitativo a respeito de impactos concorrenciais decorrentes da operação; *facultar às partes a apresentação das eficiências econômicas geradas pela operação; *requerer dados de concorrentes. A Petrobras disse em comunicado que continuará colaborando com o Cade com vistas a obter a aprovação da operação dentro do prazo legal.

Kroton (KROT3,R$ 19,78, -5,72%) e Estácio (ESTC3, R$ 31,14, -3,68%)
As ações de Kroton lideraram as perdas do Ibovespa nesta sessão, atingindo na mínima do dia queda de 7,39%, a R$ 19,43. Acompanharam o movimento negativo os papéis da Estácio, que no pior momento do pregão registraram desvalorização de 4,83%, a R$ 30,77.

No radar, a Kroton informou que sua base total de alunos, incluindo os segmentos presencial e de ensino à distância (EAD), caiu 1% no terceiro trimestre ante igual período do ano passado, para 901.642. Já a captação total de alunos subiu 6% no período de julho a setembro, para 179.481 alunos, enquanto as rematrículas recuaram 3% no período.

A base de alunos na graduação presencial caiu 6% na mesma base de comparação, para 399.862, enquanto EAD cresceu 2,4% na mesma base, para 501.780 alunos. A evasão cresceu nos dois segmentos "como um reflexo direto da crise econômica e do alto nível de desemprego", disse a companhia. Já os números do terceiro trimestre reforçam trajetória para que guidance de 2017 seja "plenamente alcançado", disse a empresa. 

Vale destacar ainda que o relatório do deputado Alex Canziani (PTB-PR) sobre a Medida Provisória 785/2017, que trata das mudanças no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), foi aprovado ontem na comissão especial que analisa a MP. O texto deve ser votado no plenário da Câmara até o dia 17 de novembro para que a medida não perca a validade. Entre as mudanças introduzidas no relatório está a ampliação do aporte do Tesouro Nacional ao Fundo Garantidor do Fies (FG-Fies), de R$ 2 bilhões para R$ 3 bilhões em quatro anos. O texto aprovado também estabelece que a parte do Fies destinada a estudantes carentes terá juro zero. O benefício já tinha sido anunciado pelo governo, mas não estava no texto da MP enviado ao Congresso. Segundo o BofA, o novo programa é menos atrativo para as empresas listadas mas, dada a menor relevância do Fies no setor no longo prazo, o banco segue positivo com as educacionais.

Cemig (CMIG4, R$ 8,36, +0,12)
Segundo a coluna do Broad, do jornal O Estado de S. Paulo, a Cemig, que há meses busca alternativas para melhorar sua situação financeira, conseguiu alongar por mais cinco anos uma dívida no montante de cerca de R$ 3 bilhões junto aos principais bancos do País. A negociação teria sido feita individualmente com cada instituição, mas, em geral, as condições do reperfilamento foram as mesmas.

Bradesco (BBDC4, R$ 36,90, -0,43%)
As ações do Bradesco viraram para queda nesta tarde. No radar, a notícia sobre a sucessão do banco. Logo após o fechamento da terça-feira, o Bradesco comunicou a renúncia de Lázaro de Mello Brandão, presidente do conselho de administração do banco. Em seu lugar, foi nomeado Luiz Carlos Trabuco, então presidente da instituição.

Para oficializar a troca do comando, a assessoria de imprensa do banco organizou nesta quarta-feira (11), às 10h30, uma coletiva na sede do Bradesco para explicar a renúncia de Brandão, que estava no cargo desde fevereiro de 1990. Brandão, que trabalha no Bradesco desde 1943, permanecerá na presidência do conselho das sociedades controladoras do Bradesco, "transmitindo seus ensinamentos e experiência acumulados ao longo desses mais de 75 anos de vida profissional dedicados exclusivamente à organização, com magníficos exemplos de trabalho, honradez e ética", como destaca o comunicado.

Com Trabuco devendo assumir a cadeira do Conselho, agora o mercado fica de olho em quem será o novo CEO do banco. De acordo com o Bank of America Merrill Lynch, o novo diretor presidente do Bradesco provavelmente será escolhido entre os sete vice-presidentes executivos do banco; os com mais experiência  provavelmente serão os principais candidatos para assumir o cargo. "Acreditamos ser improvável que o Bradesco procure um CEO fora do grupo, especialmente considerando o sistema meritocrático do banco", apontam os analistas

Cosan (CSAN3, R$ 38,25, -0,26%)
A Cosan informou, em fato relevante enviado ao mercado, que a petroleira Shell exerceu opção de venda de suas ações na Comgás (CGAS5, R$ 53,63, -2,49%), as quais serão compradas pela controladora da companhia, Cosan Limited. O valor intrínseco da transação é de R$ 1,16 bilhão por 16,77% do capital social da companhia. 

Na transação, a controladora Cosan Limited entregará a Shell ações que equivalem a 4,99% do capital da Cosan. Além disso, estão previstos dois pagamentos: R$ 208,7 milhões na data do fechamento da transação; e R$ 214,9 milhões um ano depois. Com a conclusão da operação, o acordo de acionistas celebrado entre a Cosan e a Shell no âmbito da Comgás será extinto. 

Oi (OIBR3, R$ 5,14, +2,80%; OIBR4, R$ 4,04, +8,02%)
Ações da Oi subiram 9,6% na máxima do dia, a R$ 4,10, maior nível desde março, em meio a notícias sobre a busca de alternativas por parte do governo a uma possível intervenção na empresa. O conselho de administração aprovou novo plano de recuperação judicial da companhia, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O novo plano de reestruturação aprovado pelo conselho inclui emissão de R$ 9 bilhões em ações para credores e acionistas. Não está claro ainda se credores aceitarão o plano na assembleia geral agendada para 23 de outubro. 

Um grupo de trabalho formado pelo presidente Michel Temer busca solução para dívidas da empresa com Anatel, bancos federais e credores externos, segundo o Valor. O principal objetivo do grupo é a manutenção da prestação de serviços, diz o jornal. A interferência do governo por saída para crise da Oi pode terminar em intervenção da operadora, segundo a Folha de São Paulo. Se isso ocorrer, caminho ficaria aberto para que China Telecom e fundo americano TPG comprem companhia, informa o jornal. 

Cesp (CESP6, R$ 14,40, +2,49%)
O Credit Suisse comentou a notícia do ValorPro da véspera, que informou que a privatização da Cesp poderia ser postergada para o primeiro trimestre de 2018, com a possibilidade de estender a concessão de Porto Primavera e o Estado deixando 10-20% de valor adicional para os investidores. Os analistas acreditam que esse ganho adicional não deve ser suficiente para trazer muito mais apetite para o ativo. "Ainda estamos esperando mais detalhes sobre esse processo e, até lá, não conseguimos ver muito potencial de alta para as ações. Mantemos o neutro", apontam. 

Helbor (HBOR3, R$ 2,27, -7,35%)
A ação da construtora Helbor desabou 9,39%, a R$ 2,22, na mínima do dia após o conselho de administração aprovar um aumento de capital de até R$ 280 milhões mediante emissão de no máximo 140 milhões de novas ações ordinárias, segundo comunicado enviado ao mercado. A operação ocorrerá mediante subscrição particular, ao preço de R$ 2 por ação, com base na média das cotações de fechamento dos papéis entre 2 de junho e 9 de outubro, sendo aplicado um deságio de 14,9%. O aumento de capital será homologada desde que sejam subscritas ao menos 105 milhões de novas ações ordinárias, o que corresponderia a um aumento mínimo de R$ 210 milhões. De acordo com o BTG Pactual, a notícia é negativa. Os analistas apontam que alavancagem deve cair entre 93-100% na relação entre dívida líquida e patrimônio e a  diluição deve ser entre 25-30% para os atuais acionistas (o que é mais uma diluição grande, considerando que esta é a segunda vez em 13 meses que eles anunciam um aumento de capital). 

Gol (GOLL4, R$ 15,47, -0,83%)
A demanda total da Gol aumentou em 5,0% em setembro ante o mesmo mês do ano passado, informou nesta terça-feira a companhia aérea. O oferta, por sua vez, avançou 2% no período, o que levou a taxa de ocupação nas aeronaves da empresa ao patamar de 80,2%, um crescimento de 2,3 pontos porcentuais em relação ao mesmo período de 2016. O número de passageiros transportados, por sua vez, teve alta de 4,8%.

No mercado doméstico, a demanda por voos da Gol cresceu 4,1%, enquanto a oferta de assentos teve leve avanço de 0,7%. A taxa de ocupação nos voos nacionais da empresa cresceu 2,7 pontos porcentuais, para 81%. O número de passageiros transportados cresceu 4,5% em relação ao mesmo período de 2016.

Já os voos internacionais da empresa registraram aumento de 13,1% na demanda no mês passado na comparação anual. O movimento foi acompanhado pela oferta, que também cresceu 13,1%. A taxa de ocupação ficou estável em setembro em 74,3%. O número de passageiros transportados aumentou 8,5% em relação ao mesmo período de 2016.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

Amazon - Bloomberg
(Bartek Sadowski)

Contato