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Ibovespa cai com "balde de água fria" de Maia e divisão na ata do Fed; dólar recua 0,4%

Partidos da base aliada procuram o presidente da Câmara para discutir desembarque do governo

SÃO PAULO - Consolidando o movimento de queda iniciado no começo da tarde, o Ibovespa caiu 0,31%, aos 76.660 pontos, nesta quarta-feira (11), com o "balde de água fria" de Rodrigo Maia sobre Michel Temer e digerindo a ata da última reunião do Federal Reserve, que surpreendeu ao expor uma divisão dos membros do comitê sobre aumentar ou não os juros em dezembro. Apesar do feriado de Nossa Senhora Aparecida, que manterá a B3 fechada amanhã, o volume financeiro movimentado na bolsa hoje atingiu os R$ 10,24 bilhões, acima da média diária dos últimos 21 pregões de R$ 9,1 bilhões. O dólar comercial fechou em queda de 0,43%, a R$ 3,1700 na venda. 

Em meio à nova crise envolvendo o presidente da Câmara e o presidente, Maia recebeu uma romaria de líderes e parlamentares da base aliada com queixas ao peemedebista. Conforme conta a jornalista Andréia Sadi em seu blog, os parlamentares trataram de cenários de desembarque do governo.

Na avaliação de membros de siglas do chamado "centrão", a pressão nas bases eleitorais cresceu, assim como o receio de que o desgaste causado por salvar Temer possa custar a reeleição em 2018. Segundo a jornalista da GloboNews, entre os partidos que procuraram Maia, aparecem PR, PP, PSD, além de uma ala do PSDB e do próprio PMDB, partido do presidente. Na verdade, o atrito entre Temer e Maia começou ontem.

Na tarde da última terça-feira, Maia afirmou que não vai colocar em votação mais nenhuma MP (Medida Provisória) enviada pelo Palácio do Planalto depois dos governistas esvaziarem o plenário para a votação da MP da Leniência do Banco Central. "Se o governo em cima da hora decide que não tem mais urgência, que comece a encaminhar suas propostas por projetos de lei. Nenhuma das antigas medidas provisórias será mais votada enquanto não aprovarmos aqui a PEC com a regulamentação das MPs", disse Maia. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o episódio tem como pano de fundo as movimentações do parlamentar para guardar distância regulamentar da impopularidade do presidente.

Divisão sobre alta dos juros
A ata da última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) apontou para direções entre integrantes do Federal Reserve. Enquanto diversos membros acreditam em uma alta este ano apesar da inflação baixa, outros integrantes pedem um pouco mais de "paciência" e avaliam que uma decisão sobre o aumento de juros, atualmente na banda entre 1% e 1,25%, não é automática. 

Conforme aponta a análise da Bloomberg, o tom da ata pode ser interpretado como ligeiramente dovish, já que o mercado já precifica uma chance de quase 80% de alta de dezembro. Pela avaliação dos membros do Fed, um aumento dos juros está condicionado aos dados que ainda virão sobre a economia. Nesse quesito, reside um dilema na ata, que torna os próximos dados de inflação bastante importantes. uma vez que a análise sobre a atividade econômica foi distorcida por conta dos furacões. 

Vendas do varejo decepcionam
De acordo com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as vendas do varejo recuaram 0,5% na passagem de julho para agosto, enquanto os analistas esperavam leve alta de 0,1%. Na base anual, o crescimento de 3,6% também decepcionou, ante expectativa de +4,4%.

Apesar da queda inesperada do indicador, os economistas não apostam que o Copom irá acelerar o ritmo de corte da Selic e os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 e 2021 operam praticamente estáveis neste momento, negociados a 7,28% e 8,91%, respectivamente.

Queda do minério de ferro pressiona
O minério de ferro negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, um dos mais acompanhados pelo mercado, recuou 2,23% nesta quarta-feira, encerrando o dia cotado a US$ 59,65 por tonelada, voltando para o patamar verificado em 27 de junho deste ano. Assim, a commodity acumula queda de 4,2% somente nesta semana.

Por conta da commodity, as ações da Vale (VALE3) caíram pelo quinto pregão seguido, retonando para a faixa de R$ 31,00, valor registrado em meados de agosto. 

Destaques do mercado
Do lado negativo, destaque para as empresas do setor educacional, com as mudanças anunciadas no Fies e a queda da captação de alunos no terceiro trimestre (veja mais aqui). Na ponta positiva, os papéis do setor de papel e celulose subiram com aumento do preço da celulose na China nesta semana, segundo dados da consultoria finlandesa Foex.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

 C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 KROT3 KROTON ON 19,78 -5,72 +51,53 376,28M
 ESTC3 ESTACIO PARTON 31,14 -3,68 +100,51 163,22M
 CSNA3 SID NACIONALON 9,65 -3,50 -11,06 117,94M
 NATU3 NATURA ON 30,80 -2,99 +34,48 29,05M
 RENT3 LOCALIZA ON 58,00 -2,08 +80,04 60,26M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

 C?d. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 FIBR3 FIBRIA ON 50,58 +4,37 +62,50 163,99M
 ECOR3 ECORODOVIAS ON 12,08 +3,16 +49,81 24,52M
 MRFG3 MARFRIG ON 6,63 +2,95 +0,30 7,88M
 USIM5 USIMINAS PNA 9,70 +2,65 +136,59 311,62M
 CCRO3 CCR SA ON 18,11 +2,14 +14,76 196,26M

* - Lote de mil ações
 1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) IBOVESPA

STF X Senado
Em meio à crise interna no PSDB e à disputa entre os Poderes da República, o Supremo Tribunal Federal poderá deliberar ainda hoje se o parlamento precisará ratificar decisões tomadas pela corte envolvendo os membros das casas legislativas, resultado que será decisivo para o futuro do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

De acordo com a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, haverá pelo menos três correntes divergentes sobre o assunto no Supremo. Há uma divisão na corte: há os que dizem que o afastamento é ilegal, os que pregam autorização do Congresso para a aplicação da medida e os que afirmam que ação é legal e nem sequer está sujeita ao Legislativo. Contudo, a aposta é de que a solução intermediária deve vencer. 

Bolsas mundiais
Na Europa, as ações espanholas fecharam em alta após o presidente da Catalunha dizer que buscará negociações com Madri, recuando de uma declaração unilateral de independência.

Na Ásia, a Bolsa de Tóquio fechou no maior nível em mais de duas décadas nesta quarta-feira, num marco para um mercado que enfrentou um longo período negativo, em meio ao fortalecimento dos lucros das empresas japonesas, a melhora da economia e um ambiente mais favorável para acionistas. Mais recentemente, a bolsa japonesa foi impulsionada por pesquisas indicando que a coalizão governista do primeiro-ministro Shinzo Abe irá consolidar seu poder após a eleição parlamentar do próximo dia 22.

No mercado de commodities, o petróleo avançou após a alta na véspera com a Arábia Saudita revelando planos de cortar exportações no próximo mês e à espera do relatório mensal da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) sobre o mercado da commodity. Destaque também para o minério de ferro, que recuou pelo segundo dia consecutivo na China e voltou a negociar abaixo da faixa de US$ 60,00.

Veja abaixo o desempenho dos principais índices:

*Dow Jones (EUA) +0,18%

*S&P 500 (EUA) +0,18%

*Nasdaq (EUA) +0,25%

*CAC-40 (França) -0,06% 

*FTSE (Reino Unido) -0,04%

*IBEX 35 (Espanha) +1,32%

*DAX (Alemanha) +0,18% 

*Hang Seng (Hong Kong) -0,36%

*Xangai (China) +0,18% 

*Nikkei (Japão) +0,28% 

*Petróleo WTI +0,75%, a US$ 51,30 o barril

*Petróleo brent +0,46%, a US$ 56,87 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -0,91%, a 436 iuanes

*Minério spot 62% negociado em Qingdao (China) -2,23%, a US$ 59,65 a tonelada

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