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Eletrobras despenca 10% sem privatização; Petrobras cai mais de 3%, após surpresa nos EUA

Confira os destaques do pregão desta quarta-feira na B3

Eletrobras
(Alexandre Marchetti /ItaipuBinacional)

SÃO PAULO - Após uma sessão de leve recuperação na véspera, o Ibovespa volta a operar no campo negativo nesta quarta-feira (23), com os investidores atentos ao possível efeito de contágio da crise cambial turca, além do próprio acirramento nas tensões entre Estados Unidos e China no plano comercial. O destaque do dia fica por conta da divulgação da ata do Fomc (Federal Open Market Committee), com possíveis sinalizações sobre a política monetária norte-americana, enquanto no plano doméstico os investidores digerem os dados abaixo do previsto do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Do lado das empresas, o noticiário também é movimentado. Confira as principais movimentações na B3 neste pregão:

Eletrobras (ELET6)
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou em plenário que a medida provisória 814, que trata da privatização das distribuidoras da Eletrobras não será votada pela casa. Segundo ele, as alterações serão analisadas por meio de um projeto de lei a ser enviado pelo governo federal. O texto estava pronto para ser votado em plenário nesta semana. Os papéis da estatal mergulham com a percepção de privatização mais distante.

Marfrig (MRFG3)
O processo de venda da Keystone Foods avançou para uma nova fase, que contempla acesso ao dataroom, reuniões com a liderança da Keystone, visita a plantas nos Estados Unidos e na região da Ásia, e a proposta vinculante de compra durante o mês de junho. Segundo comunicado divulgado pela companhia, foram selecionadas cinco empresas para esta etapa. Os papéis da companhia operam em forte alta mesmo em um pregão de maior aversão a riscos.

BRF (BRFS3)
A companhia informou que suas operações estão rodando normalmente, sem que nenhuma decisão tenha sido tomada pela companhia, exceto o monitoramento do fornecimento de insumos e matérias-primas para fábricas. Já a Aurora anunciou paralisação total nas atividades em quatro estados em função dos protestos.

Embraer (EMBR3)
O governo brasileiro tem grandes esperanças de que se chegue a um acordo entre a Boeing e a Embraer, já que as preocupações sobre os projetos militares estratégicos da empresa brasileira foram superadas, disse o ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, em entrevista à Bloomberg. O governo está acompanhando as negociações entre as duas empresas, nas quais ambas buscam um acordo "ganha-ganha", afirmou. Embora ele tenha se recusado a especular sobre quando elas poderiam chegar a um acordo, ele disse que não houve retrocessos e que ele espera que as conversas terminem até o final do ano, quando o mandato do atual governo terminar.

"Todos nós, a Boeing e a Embraer também, estamos otimistas", disse. “Havia uma preocupação para preservar investimentos da nossa base industrial de defesa, de que os projetos estratégicos não fossem interrompidos. Essa parte foi superada.” A Boeing disse que as conversas são contínuas e produtivas. A Embraer não quis fazer comentários.

O valor de cada lado da empresa resultante está em discussão e dependerá de quanto dinheiro cada parte tem para investir na joint venture, disse o ministro. “Não sabemos se em comunhão ou separação de bens, mas a tendência é de casamento, sim”, acrescentou Silva e Luna.

Petrobras (PETR4)
Os papéis da companhia intensificaram perdas no fim da manhã desta quarta-feira, acompanhando o movimento negativo dos preços do petróleo no mercado internacional, em meio a um inesperado crescimento nos estoques norte-americanos, de 5,8 milhões de barris na última semana. 

Em um momento de tensão envolvendo a recente escalada dos preços dos combustíveis, a Petrobras informou que a política de preços permanece inalterada. Segundo a companhia, as reduções recentemente divulgadas foram definidas de forma estritamente técnica e decorrem da aplicação normal dos princípios e processos de reajustes previstos.

A consultoria Eurasia vê maior risco para a autonomia da estatal em 2019. Embora seja improvável que o presidente Michel Temer reduza a nova autonomia da estatal para fixar os preços dos combustíveis, a consultoria de análise de risco vê a chance de maior pressão sobre o futuro mandatário para restabelecer os controles. Para eles, no médio prazo, o regime de preços flutuantes da Petrobras poderia ser vítima de pressão política, especialmente se um candidato quase-reformista ou de esquerda vencer as eleições.

Ainda no noticiário da empresa, houve corte no preço da gasolina nas refinarias de R$ 2,0433/litro para R$ 2,0306/litro, do diesel de R$ 2,3351/litro para R$ 2,3083/litro.

Por fim, a estatal pretende ceder parcialmente, sem transferência da operação, os direitos de exploração, desenvolvimento e produção em quatro concessões da Bacia de Segipe-Alagoas.

Gol (GOLL4)
A Gol teve seus ADRs elevados de recomendação de venda para neutra pelo Citi.

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