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Plantio de soja não é vetor de desmatamento na Amazônia

O Relatório do Monitoramento por Imagens de Satélite dos Plantios de Soja no Bioma Amazônia Safra 2016/17, divulgado nesta quarta-feira (10) no Ministério do Meio Ambiente, confirma o que vem sendo dito nos 11 anos de existência da Moratória da Soja: a sojicultura não é vetor relevante de corte da floresta

grãos de soja
(Kham/Reuters)

É o que destaca a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

Segundo a entidade, os dados apresentados pelo Grupo de Trabalho da Soja (GTS), que planeja e executa as ações da Moratória, mostram que em 11 anos os plantios de soja corresponderam a 1,2% do total desflorestado no bioma.  Tais plantios foram mapeados a partir de dados disponibilizados pelo Prodes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Esse projeto realiza o monitoramento por satélites do desmatamento por corte raso na Amazônia Legal de 2009 a 2016.

O Estado de Mato Grosso teve a maior participação no plantio de soja em áreas em desacordo com a Moratória: 36,1 mil ha (76,2%), seguido do Pará, com 7,4 mil ha (15,7%), do Maranhão, com 2,2 mil ha (4,7%) e de Rondônia, com 1,6 mil ha (3,4%). 

A Abiove acentua que é importante destacar que, desde o início da Moratória, a área cultivada com soja no bioma Amazônia mais do que triplicou, passando de 1,14 milhão de hectares na safra 2006/07 para 4,48 mi ha no ciclo 2016/17, o que corresponde a 13% do território nacional ocupado com a oleaginosa. O resultado de 1,2% mostra que a oleaginosa tem se expandido essencialmente sobre áreas de pastagens oriundas de desflorestamentos anteriores ao pacto de desmatamento zero.

A baixa participação da soja em áreas desmatadas na Amazônia também se deve ao considerável estoque de terras abertas no bioma anterior à data de referência da Moratória. Isso viabilizou a expansão da oleaginosa sobre áreas em que houve corte da floresta no passado.

O que é

A Moratória da Soja, declarada em julho de 2006 pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e empresas associadas, é um compromisso de não aquisição nem financiamento da soja cultivada em áreas desmatadas do bioma Amazônia a partir de julho de 2008, data de referência adotada após a vigência do Código Florestal.

Como faz todos os anos, o GTS divulga o Relatório do Monitoramento por Imagens de Satélite dos Plantios de Soja no Bioma Amazônia. O GTS reúne a Abiove, a Anec e empresas associadas, a sociedade civil (Greenpeace, WWF Brasil, TNC, Imaflora, Ipam e Earth Innovation), o Ministério do Meio Ambiente e o Banco do Brasil. O relatório é assinado pela Agrosatélite, pela Abiove e pelo Inpe e auditado por esse instituto.

A Moratória da Soja é uma iniciativa pioneira reconhecida nacional e internacionalmente por sua contribuição ao combate ao desflorestamento associado à produção de soja no bioma Amazônia em sete Estados: Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Amapá, Maranhão e Tocantins. Em 89 municípios monitorados nesses Estados, 94,4% do desmate não estão associados à conversão para o plantio.

 

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