Em mercados

Temer "na mira" de Janot, overdose de inflação e fala de membros do Fed: os eventos da próxima semana

Procurador está preparando uma série de denúncias contra o presidente; Relatório Trimestral de Inflação deve confirmar viés de queda dos juros

SÃO PAULO - As atenções dos investidores nesta semana ficaram divididas entre o cenário político brasileiro, com figuras importantes como Eduardo Cunha e Joesley Batista depondo à Polícia Federal sobre Michel Temer, e a decisão de política monetária do Federal Reserve, que culminou no aumento em 25 pontos-base da taxa básica de juro e levou o Ibovespa do "céu ao inferno" após a fala de Janet Yellen.

Sem fugir muito do roteiro, a semana que se inicia em 19 de junho terá como pano de fundo a cena política doméstica, com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, preparando uma série de denúncias contra Temer, que dividirá os holofotes com o RTI (Relatório Trimestral de Inflação) e o IPCA-15 de junho.

Do lado internacional, a agenda econômica está bastante fraca, mas os investidores estarão atentos as falas de membros votantes do Federal Reserve, como Willian Dudley (segunda-feira), Robert Kaplan (terça-feira) e Jerome Powell (sexta-feira), com objetivo de capturar novas sinalizações sobre o futuro da política monetária nos EUA após a reunião de quarta-feira.

Inflação em destaque
Com a desaceleração dos preços ao longo deste ano, o futuro da inflação vem sendo pauta frequente de discussão entre os economistas. Por isso, a divulgação do RTI na quinta-feira (22), às 08h30 (horário de Brasília), será o grande evento econômico da semana, frisam os economistas do Bradesco e da Rosenberg Associados.

"O ponto alto desta semana deve ser o RTI, em que o Banco Central terá oportunidade de revisar suas projeções de inflação, incorporando o IPCA mais baixo de maio, bem como a evolução das expectativas no Focus. É possível que os dados de inflação melhores que o esperado o leve a aproveitar a oportunidade de comunicação com o mercado para amenizar adicionalmente o tom com relação à intenção de desacelerar o ritmo de queda na próxima reunião", destaca a Rosenberg.

Dividindo as atenções, o IPCA-15 de junho, que será conhecido na sexta-feira (23), às 09h00, "deverá confirmar a tendência de desinflação verificada em outros índices de inflação, ao desacelerar de uma alta de 0,24% em maio para outra de 0,09% em junho. Com isso, a inflação em doze meses deve recuar de 3,77% para 3,45%", projetam os economistas do Bradesco. Para o time da Rosenberg, o índice de inflação deve encerrar o mês com variação de 0,15%.

Confirmando esse cenário de queda de inflação, os contratos de juros futuros devem seguir sua trajetória de queda, com os investidores reforçando a aposta de que o Banco Central não diminuirá o ritmo de corte da Selic mesmo em meio ao caos político.

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Rodrigo Janot
(Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

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