Em mercados

Luta pela Previdência e mais 8 eventos que vão agitar o mercado na próxima semana

Governo retoma na segunda-feira sua batalha para conseguir apoio para reforma, enquanto dados do PIB no Brasil e na China são destaque na agenda

Henrique Meirelles e Michel Temer
(Beto Barata/PR)

SÃO PAULO - Após o corte de rating do Brasil pela S&P ter efeito limitado no mercado, os investidores agora começam a se preparar para a "volta" da agitação política, com o governo voltando a trabalhar mais intensamente pela aprovação da reforma da Previdência, enquanto o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se aproxima. Na agenda de indicadores, o destaque fica para o cenário doméstico, com dados do PIB e inflação.

A partir de segunda-feira (15), o governo deve retomar sua contagem e os esforços para conseguir apoio para a reforma da Previdência. Até o fim do ano passado, deputados governistas afirmavam ter 270 dos 308 votos necessários para fazer o texto passar. E alguns analistas estão apontando que o corte do rating soberano pode ajudar na conquista destes votos.

O fato da S&P citar o "progresso mais lento que o esperado‘" das reformas ao justificar o rebaixamento está alimentando atritos em Brasília. Ao colocar a culpa no Congresso, que adiou a Previdência para fevereiro, a agência acaba colocando pressão nos deputados e senadores para tentar aprovar o texto. Em entrevista à Bloomberg, Henrique Meirelles disse que o rebaixamento reforça a necessidade de aprovação da reforma da Previdência pelo Congresso.

Outro evento que vai ganhando cada vez mais importância é o julgamento de Lula no TRF4, marcado para 24 de janeiro. Este tem sido um dos fatores que tem sustentando a euforia do mercado nos últimos dias, com a expectativa de que o ex-presidente possa ser condenado, o que pode levar à inviabilidade de sua candidatura - o que deve demorar, já que ainda caberá recursos do petista.

Indicadores
Enquanto a bolsa americana ficará fechada na segunda-feira por conta do feriado de Martin Luther King, o Brasil terá motivos de sobra para os investidores ficarem atentos. Às 8h30 (horário de Brasília), o Banco Central divulga o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) de novembro, considerado a prévia mensal do PIB. A GO Associados projeta expansão de 0,4% ante o mês de outubro, e caso isso se confirme será o terceiro mês seguido de crescimento da atividade no país.

"Os dados de atividade vão reforçando a tendência de recuperação da economia, que deve ganhar força ao longo de 2018 e levar o PIB a um crescimento de 3,2%", afirmam os analistas da GO.

Outro dado importante, mas ainda sem data para ser divulgado, é o Caged de dezembro, que segundo a GO Associados deve ter saldo líquido negativo de 380 mil vagas de emprego formal. "Sazonalmente, o mês de dezembro é ruim para o emprego formal, pois ocorrem as demissões dos temporários contratados durante as festas de fim de ano", argumentam os analistas. Com isso, o indicador terminaria o ano com saldo negativo de 80 mil vagas.

No exterior, destaque para o PIB (Produto Interno Bruto) da China, na quinta-feira (18) à noite. A expectativa é que o gigante asiático mantenha um bom crescimento no período, levando o país a um crescimento acumulado de 6,8% no ano de 2017, uma leve alta ante os 6,7% de um ano antes e acima da meta do governo de 6,5%. "O bom desempenho da economia chinesa é um dos fatores que tem levado a expectativas otimistas para o crescimento mundial, ajudando a impulsionar os preços de algumas commodities", explica a GO.

Nos EUA, na quarta-feira (17), serão divulgados o resultado da produção industrial de dezembro e o Livro Bege. A expectativa é que ambas as divulgações mantenham o tom positivo sobre o crescimento econômico,
reforçando o tom otimista dos mercados globais. Por fim, ainda na quarta, na Zona do Euro será conhecido o resultado final da taxa de inflação ao consumidor em 2017, que apesar de acelerar para 1,5%, no núcleo segue com resultado baixo, em torno de 1%.

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