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Adam Capital, de Márcio Appel, lança fundo multimercado com nova estratégia; conheça

O fundo iniciará as captações no dia 30 de junho e, diferentemente do Adam Macro e do Advance - os outros dois fundos multimercado da Adam -, o Strategy não vai operar o mercado de juros local.

SÃO PAULO – A Adam Capital, gestora fundada por Marcio Appel, vai lançar um novo fundo multimercado, o Adam Macro Strategy. O fundo iniciará as captações no dia 30 de junho e, diferentemente do Adam Macro e do Advance - os outros dois fundos multimercado da Adam -, o Strategy não vai operar o mercado de juros local. “Fizemos um estudo simulando a performance do Adam Macro se tivéssemos transferido o risco de juros para o mercado de câmbio. Ele geraria mais retorno e menos risco. O mercado de cambio foi muito mais simétrico nesse período [da simulação]”, afirma Appel. Apesar de não operar no mercado de juros brasileiro, o fundo vai ter uma correlação importante com o Adam Macro. “Os dois são muito próximos. É possível substituir razoavelmente bem os juros por câmbio sem perder muito”, afirma o gestor.

O Strategy também vai operar com ações globais, sempre no modo de análise top down.  “A gente abre mão do mercado de juro, que é extremamente correlacionado ao câmbio. E ganhamos 600 novos ativos de baixa correlação ou correlação negativa no mercado internacional”, afirma. A gestora contratou dois analistas que vão acompanhar o mercado de ações internacionais em busca de oportunidades.  O responsável pela gestão continua sendo Appel, assim como acontece nos outros fundos. “O método vai continuar o mesmo. Decisão centralizada, baseada no cenário macro”, diz.

O fato de o mercado de câmbio ser muito mais líquido que o de juros permite, segundo Appel, que o fundo tenha uma volatilidade objetivo de 10% ao ano. “Isso abre um espaço muito grande. Ele é mais eficiente do ponto de vista de custo para o cliente”. Como comparação, a volatilidade objetivo do fundo Macro é de 8% ao ano. 

Outra diferença para o fundo Macro é com relação ao regulamento, que foi adaptado para permitir a aplicação de investidores institucionais. “Temos demanda desses clientes e optamos por deixar o regulamento mais claro para permitir a entrada deles. No caso do Macro, a demanda já existia, mas a captação com investidores pessoa física era muito alta e não fazia sentido convocar uma assembleia para fazer pequenas modificações no regulamento. Agora já criamos o fundo adaptado”, diz.

Queda de juros e distribuição

A Na opinião de Appel, a queda da taxa básica de juros pode ser um incentivo a mais para os clientes olharem para fundos como o Strategy. Na última reunião do Copom, a Selic (taxa básica de juros) foi cortada para 10,25% ao ano. E o mercado espera que até o final do ano ela esteja em 8,5% ao ano. “Acho que [essa queda de juros] vai ser relevante para a captação do fundo. O Brasil começa a ter um patamar de juros diferente. Já cruzamos aquela rentabilidade de 1% ao mês [com ativos de renda fixa e baixo risco], que é um gatilho relevante para o investidor. Nós achamos que a taxa continuar caindo durante um período mais longo. A combinação da pulverização das plataformas independentes, com os juros mais baixos, sem dúvida nenhuma vai ajudar o processo de captação“, afirma.

A Adam Capital espera que a distribuição do Strategy seja mais forte nas instituições independentes. “Elas cresceram muito. A taxa de crescimento do resto do mercado não foi tão grande como dessas plataformas”, diz o gestor. 

O valor mínimo de aplicação inicial é de R$ 50 mil. O fundo cobra taxa de administração de 2% ao ano, mais taxa de performance de 20% sobre a rentabilidade que exceder o CDI. A movimentação mínima é de R$ 10 mil.

O histórico de Appel

Márcio Appel fundou a Adam Capital no início do ano passado, após passagens como CEO da área de gestão de fundos no Santander e no Safra. Considerado um dos melhores gestores de fundos do país, ele comandou o Safra Galileo entre 2008 e 2015, e obteve um retorno médio de CDI mais 7% ao ano.

Desde a sua criação, em maio do ano passado, até o dia 31 de maio desde ano, o Adam Macro rendeu 23,40%, o equivalente a mais de 160% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Isso já contando com o revés que o fundo – e todo o mercado – sofreu no dia 18 de maio, após notícias sobre a gravação de uma conversa comprometedora entre Joesley Batista, da JBS, e o presidente Michel Temer . “Somos um dos poucos fundos que ganha do CDI no ano, em 6 meses, em 12 meses e desde a abertura do fundo. É um histórico que poucos fundos podem exaltar”, afirma. Até o dia do circuit breaker na Bolsa, o Macro rendia na faixa dos 30% desde a sua criação.

Já o Adam Advanced, fundo de maior risco da gestora, rendeu 40% desde o início até 31 de maio, equivalente a 280% do CDI no período. Os dois fundos estão fechados para captação.

Marcio Appel, da Adam Capital
(Fabio Sala / InfoMoney)

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