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Quando a previdência privada é melhor negócio que o INSS?

Com planejamento é possível obter ganhos superiores e por mais tempo em aplicações individuais

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SÃO PAULO - Com as mudanças propostas pelo governo para a Previdência, que incluem maior tempo de contribuição e elevação da idade mínima, muitos trabalhadores começam a buscar alternativas para a aposentadoria tradicional. A maior dúvida é: quando vale a pena optar pela previdência complementar?

A Tag Investimentos fez simulações levando em consideração o trabalhador autônomo, com salário-base de R$ 5.531,31 (teto máximo do benefício desde 1º de janeiro de 2017), expectativa de vida de 83 anos e imposto de renda de 13% sobre o benefício. No caso de investimentos por conta própria, em detrimento ao INSS, foi aplicada alíquota de 15% de imposto de renda. Foram consideradas 13 contribuições mensais por ano e o mesmo número de benefícios.

Nessas condições, um trabalhador autônomo que realizasse contribuições a partir dos 25 anos pelas quatro décadas seguintes e quisesse se aposentar com 91% da média do salário-base teria melhor rendimento fazendo investimentos por conta própria com retornos reais acima de 2,46% ao ano. Para se ter ideia, o título do tesouro IPCA+ com vencimento em 2035 tem taxa de 5,27% ao ano.

Segundo a Tag, essa taxa de retorno seria suficiente para que o trabalhador tivesse recursos em sua conta após os 83 anos, expectativa de vida atual do brasileiro que chegou aos 65 anos. Vale destacar o risco incluso nessa opção, uma vez que os recursos do investimento são limitados e podem acabar se usufruídos por longos anos, enquanto a previdência social garante o pagamento durante toda a vida do contribuinte.

Com retorno real acima de 4% ao ano, o montante acumulado seria suficiente para manter a renda até 100 anos, e acima de 5% ao ano de rendimento, o valor retirado é inferior aos juros obtidos e o patrimônio acumulado não reduz ao longo dos anos, ficando para os dependentes.

Na segunda simulação, um trabalhador autônomo que contribuísse pelo período mínimo, dos 25 aos 50 anos, e se aposentasse na idade mínima com 76% da média do salário-base teria melhor retorno na aplicação própria do que da Previdência se o retorno real for acima de 2,9% ao ano. Com 4% de retorno real, o recurso seria suficiente até 95 anos e o benefício mensal pode aumentar com investimentos cuja rentabilidade superem 5% ao ano.

Em um terceiro caso, com a contribuição individual iniciada aos 40 anos, pelo tempo mínimo de contribuição (25 anos) e aposentadoria com 76% da média do salário-base, o rendimento anual necessário para que a previdência complementar seja mais atrativa que o INSS sobe para 4,93%. Para que o recurso dure até mais que 95 anos, a rentabilidade líquida real necessária é de 6% ao ano.

Com base nesses resultados, Francisca Brasileira, executiva da Tag responsável pelas simulações, avalia que o melhor cenário é começar a investir por conta própria nos primeiros anos e só após os 40 anos direcionar os recursos para o INSS, uma vez que o contribuinte investiria por tempo menor, apenas o mínimo de 25 anos, e precisaria de rentabilidade mais elevada do que o trabalhador que começa os aportes no início da carreira. 

“Claro que essa conclusão não leva em consideração a característica assistencialista do INSS, ou seja, o auxílio doença, pensão por morte e outros benefícios. Além disso, não podemos excluir a possibilidade de outras reformas da previdência, mudando as regras no futuro”, pondera Brasileira.

Análise de investimentos
(Shutterstocks)

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