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O problema da Poupança: O que fazer

O investimento mais famoso do país recentemente tem dificuldades de acompanhar a inflação.

Em janeiro de 2014, uma pesquisa do Fecomercio-RJ/Ipsos mostrou que apenas 19% dos brasileiros guardam dinheiro, e entre eles, 88% o fazem na Caderneta de Poupança. A poupança nasceu para financiar projetos de Casa Própria e para isso, nunca remunerou seus aplicadores muito bem. Mas pela simplicidade do investimento (liquidez imediata, sem taxas e sem imposto de renda), tornou-se a aplicação favorita do brasileiro médio. O problema é que a poupança não foi desenhada para superar a inflação. E é aí que mora o problema.

Veja só: a inflação acumulada do primeiro semestre de 2015 foi de 6,17%. No mesmo período, a poupança rendeu 4,32%. A poupança não só perdeu para a inflação (sim, se você deixou dinheiro na poupança, perdeu dinheiro) mas também se tornou um dos piores investimento sem risco do país.

Com a inflação crescente que temos atualmente, manter dinheiro na poupança faz você perder dinheiro!

Mas por que o Governo deixa a inflação ganhar da poupança?

A causa está na fórmula de cálculo da remuneração da poupança. De acordo com o Banco Central, os bancos devem calcular os juros da poupança como uma remuneração básica, dada pela TR, mais a remuneração adicional (que é 0,5% ao mês, enquanto a taxa SELIC for superior a 8,5% ao ano ou 70% da taxa SELIC anual, se essa for igual ou inferior a 8,5%). Viu? Em lugar nenhum do cálculo há menção a um índice de inflação. Resultado: em junho de 2015 a poupança rendia 0,61% ao mês enquanto a inflação oficial, medida pelo IPCA, foi de 0,79%. E 88% dos poupadores brasileiros acreditando na proteção da poupança…

Além disso, se compararmos a poupança com outros investimentos de renda fixa protegidos de risco, ela paga muito menos. Ou seja, hoje só existem dois tipos de aplicadores na poupança (com mais de R$10 mil, para simplificar): os desinformados (ainda bem que você já não é mais um deles) e os preguiçosos.

Como então se proteger? Mova todo o seu dinheiro para investimentos seguros e com rendimentos maiores!

Se o seu objetivo principal é se proteger da inflação com bons rendimentos e baixíssimo risco, as opções recomendadas são outros investimentos de Renda Fixa. Vamos às principais alternativas:

Títulos ou fundos ligados à taxa de juros SELIC

Em períodos de inflação alta, o Banco Central costuma aumentar a taxa de juros SELIC para contê-la. Em julho de 2015, a taxa SELIC era de 14.25%1 ao ano (acima da inflação e muito acima do rendimento da poupança).

Vários investimentos de Renda Fixa se beneficiam de taxas SELIC elevadas. A opção mais confortável, com liquidez diária, são os Fundos DI, que buscam acompanhar a taxa SELIC. Só fuja de fundos de bancos que cobrem 0,5% ou mais ao ano de taxa de administração. Esse é o produto mais simples do mercado e você o encontra em corretoras com taxas baixíssimas.

Outra opção simples e de risco baixo são os títulos do Tesouro Direto indexados à SELIC. Atualmente estes também oferecem liquidez diária e têm baixas taxas de manutenção. A vantagem destes títulos sobre os fundos são duas: você troca o risco do fundo pelo risco do governo (geralmente menor) e pode escolher pagar imposto de renda só no resgate, o que aumenta seus rendimentos.

Títulos de Renda Fixa com lastro em empréstimos

Nesse tipo de investimento, é como se você emprestasse dinheiro para o emissor do papel, podendo ele ser o Governo, bancos ou outras instituições financeiras. Lembrando que esse tipo de investimento geralmente rende muito mais que a inflação e são buscados avidamente por investidores pois também rendem mais que Fundos DI.

Como estes produtos dependem de lastro, ou seja, o emissor do papel precisa encontrar empréstimos em montante similar à captação, sua oferta não é constante e os melhores títulos tendem a “acabar rápido”, pois sua demanda é grande.

Recomendamos que você aprenda mais sobre os títulos abaixo pois estes têm geralmente os maiores rendimentos dentro do mundo de renda fixa e podem ter risco tão baixo quanto a poupança. 1

Os tipos mais comuns são o CDB, os Certificados de Depósito Bancário, o LCA, ou Letra de Crédito do Agronegócio e o LCI, Letra de Crédito Imobiliário.

Títulos indexados à inflação

Tais títulos são uma das formas mais eficazes de se proteger da inflação, pois garantem rendimentos acima do índice de inflação escolhido. São eles o Tesouro Direto IPCA ou o Tesouro Direto IGMP, antigos NTN-B e o NTN-B Principal – o que muda é que o primeiro recebe os juros ao longo do tempo e o segundo recebe os juros no momento do resgate, evitando cobranças intermediárias de imposto de renda).

Estes títulos são de baixíssimo risco e oferecem uma remuneração garantida acima da inflação, atualmente ao redor de 6% a.a. acima do seu índice. A exigência de aplicação mínima é baixa e a liquidez é diária.

Fundos Imobiliários

Outra forma é investir em um Fundo Imobiliário, que tem os aluguéis reajustados pelo IGP-M (outro índice da inflação). Ou seja, os aluguéis do seu fundo irão subir, de acordo com a inflação. No entanto, vale o alerta para ver se essa carteira reajusta os aluguéis e se o fundo é do tipo típico ou atípico, pois nesse segundo, depois de 3 anos, o valor do aluguel é avaliado para ver se não está muito acima do valor que deveria, podendo ser reajustado para baixo, se necessário.

Muitos investidores atualmente buscam corretoras para encontrar os melhores investimentos pois só elas podem vender alguns dos títulos acima. Além disso, com a vasta gama de produtos que possuem, você consegue escolher melhor qual o investimento certo para seu perfil, com a melhor taxa e prazo, comparando tudo com a ajuda de um especialista que a corretora coloca à sua disposição. Você irá contar com alguém que entende do assunto e que ajudará a escolher, com mais certeza, o melhor para o que você está querendo.

Entendi. Quero sair da poupança!

Lembrando que uma corretora pode oferecer todos estes produtos com taxas e rendimentos muito mais vantajosos do que um grande banco e com a mesma segurança. Se quiser conhecer mais sobre as corretoras, fizemos um artigo explicando como elas funcionam.

  1. Segundo dados informados no site do Banco Central do Brasil. 2